Torcedores e jogadores na Copa do Mundo deste ano estão enfrentando o calor à medida que as temperaturas de verão disparam, mas um projeto inteligente dos estádios pode ajudar a mantê-los mais frescos do que estariam de outra forma. Até mesmo o jogo do Brasil contra a Noruega, para as oitavas de final, foi adiado por uma hora por conta das previsões de clima extremo.
Dez das 16 sedes da Copa do Mundo deste ano nos EUA, Canadá e México correm alto risco de condições de calor extremo, segundo um relatório da Future for Football, um grupo que pesquisa clima e sustentabilidade no futebol. A crise climática só deve piorar ainda mais a situação.
“O fato é que os verões estão mais quentes. Eles permanecem quentes por mais tempo”, diz Chris DeVolder, diretor de esportes do escritório de arquitetura Gensler, à Fast Company. O ponto é: como o design pode contribuir para que a bola continue rolando e os fãs sigam animados com as partidas?
COMO A ARQUITETURA PODE RESFRIAR OS ESTÁDIOS
A FIFA tem planos para combater o calor extremo na Copa do Mundo, incluindo uma força-tarefa de mitigação e gestão de doenças relacionadas ao calor, composta por profissionais de saúde, além do agendamento de jogos para evitar os horários mais quentes do dia. Os organizadores também adicionaram áreas de resfriamento, estações de água e nebulizadores para os torcedores.
Apenas três dos estádios da Copa do Mundo nos EUA — Atlanta, Dallas e Houston — possuem ar-condicionado e tetos retráteis que podem ser fechados. Para garantir a segurança de jogadores e torcedores nas outras cidades, as sedes estão recorrendo a várias outras intervenções. Aqui estão três estratégias que os estádios podem adotar agora e no futuro.
Coberturas e outras estratégias de sombreamento são intervenções fundamentais para amenizar o calor. “A sombra é nossa melhor amiga”, diz DeVolder. “E não apenas nas arquibancadas, mas também nas áreas de circulação.”

Criar sombra sobre o campo e as arquibancadas pode manter jogadores e torcedores mais frescos, embora isso gere um desafio para a manutenção de um gramado saudável. A grama artificial é uma alternativa, mas retém mais calor do que a grama natural. Todos os estádios da Copa do Mundo utilizam grama natural.
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“Isso significa apenas que o responsável pelo gramado precisa se dedicar um pouco mais para manter a grama verde, pois haverá momentos do ano com sombra total, o que é difícil de manejar”, diz DeVolder.

Estender a sombra com coberturas, árvores ou tendas — como as tendas temporárias climatizadas instaladas do lado de fora dos estádios da Copa do Mundo — também pode ajudar a reduzir a temperatura ambiente geral.
VENTILAÇÃO E TRABALHAR EM FAVOR DA NATUREZA
Assentos com tela ou padrão de grade (tipo waffle) são outra medida eficaz contra o calor extremo. Ao contrário dos modelos de plástico sólido, esses designs maximizam a circulação de ar, mantendo as pessoas mais frescas. Essa tendência surgiu nas ligas menores de beisebol do sul dos EUA e continua ganhando popularidade.

No caso de novas construções, os estádios podem ser posicionados estrategicamente para maximizar a ventilação natural e combater o calor extremo. Além disso, estudos de incidência solar permitem aos arquitetos identificar com precisão quando e onde a luz solar direta incidirá ao longo do dia e das estações, possibilitando o planejamento adequado de sombreamento e coberturas.
Projetar locais com muitos bebedouros também é fundamental para manter os torcedores hidratados e seguros. Da mesma forma, as pausas obrigatórias para hidratação na Copa do Mundo protegem os jogadores em campo quando as temperaturas sobem — ao mesmo tempo em que, convenientemente, abrem espaços publicitários extras para as emissoras.
“Garantir o acesso à água e manter a hidratação durante um evento como este é extremamente importante”, afirma DeVolder.