A Espanha é uma campeã mundial de jogo ‘chato’? Entenda por que você pode ter essa impressão e o que ela revela


A superioridade da Espanha sobre a Argentina na final da Copa do Mundo impressionou, mas não foi a primeira vez que a seleção espanhola sobrou em campo. O amplo domínio da equipe nem sempre se traduziu em muitos gols e deixou o jogo um tanto quanto arrastado e monótono, algo que virou uma tônica da campanha. Afinal, o estilo de jogo da atual campeã é realmente “chato” ou essa impressão passa mais pelo demérito dos adversários?

É verdade que a percepção sobre o que é agradável ou não no futebol é totalmente subjetiva, já que existem diferentes formas de vencer uma partida. Por outro lado, os cenários parecidos nos jogos da Espanha ajudam a entender melhor o conceito aplicado por Luis de la Fuente, responsável por levar a seleção ao topo do mundo sem ficar atrás do placar em nenhum momento do torneio e com amplo domínio sobre adversários do peso de França e Argentina

Se cinco dos oito jogos terminaram com no máximo dois gols, o volume ofensivo da Espanha passou a sensação de que os placares ficaram menores do que poderiam. O empate sem gols com Cabo Verde, na estreia, foi o exemplo mais claro: 74,2% de posse de bola, 27 finalizações, 11 escanteios e 2,29 de xG — estatística que mede a probabilidade de uma finalização terminar em gol.

Yamal celebra o título da Espanha na Copa do Mundo de 2026 — Foto: JUAN MABROMATA / AFP

Com 1,75 gol por partida, a média supera a da Espanha campeã em 2010, mas fica abaixo das marcas de Argentina-2022, França-2018, Alemanha-2014 e Brasil-2002. Ainda assim, os 14 gols representam um recorde espanhol em Copas do Mundo, superando os 12 de 1986. A seleção campeã em 2010 marcou apenas oito vezes.

— A Espanha carece de um jogador mais goleador. Não necessariamente um centroavante de referência, mas alguém mais letal, como Yamal precisa se tornar para cumprir a expectativa de ser o sucessor de Messi e Cristiano Ronaldo. Mesmo sem esse perfil, a seleção conquistou a Eurocopa e a Copa, mas poderia ser ainda mais forte com um finalizador de alto nível — destaca Conrado Santana, comentarista do Canal Goat.

O time de Luis la Fuente chegou a exagerar na falta de efetividade, mas também encontrou diferentes autores de gols ao longo da campanha. Oyarzabal marcou cinco, enquanto Yamal, Porro, Merino, Fabián Ruiz, Baena e Ferran Torres também balançaram as redes. O último, inclusive, se tornou o herói do título ao marcar, na prorrogação, e decretar a vitória por 1 a 0 sobre a Argentina.

Líder em média de passes certos (597,5) e terceira seleção com maior posse de bola no Mundial (63,9%), a Espanha não apenas empurrava os adversários para a defesa, como também controlava o jogo defensivamente a partir do ataque. Embora a presença constante no campo ofensivo possa gerar certa morosidade, a estratégia se mostrou eficiente: a equipe sofreu apenas um gol e terminou com a melhor defesa da competição, ao lado da Colômbia.

— A Espanha sofreu muito pouco e permitiu poucas chances aos adversários, resultado de um trabalho coletivo que ia além do goleiro. Era um time que já atacava pensando em se defender, recuperava a bola rapidamente e sabia exatamente como se posicionar. Rodri foi um dos grandes símbolos desse equilíbrio, pela capacidade de marcar, interceptar e iniciar jogadas. O trabalho de Cubarsí, Laporte e Cucurella também foi fundamental para uma equipe que uniu organização coletiva, posse de bola e intensidade — analisa Conrado.



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