Marrocos e Egito seguem vivas na competição e Cabo Verde se despede como sensação
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A Copa do Mundo de 2026 já entrou para a história do futebol africano. Pela primeira vez, nove seleções do continente avançaram da fase de grupos em um Mundial, reflexo direto da ampliação para 48 participantes e, principalmente, da evolução técnica construída ao longo da última década.
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O cenário, porém, mudou rapidamente quando começou o mata-mata. Cinco equipes africanas foram eliminadas em partidas definidas nos minutos finais ou na prorrogação. Outras duas também ficaram pelo caminho. Restaram apenas Marrocos, que ganhou da Holanda nos pênaltis e passou às quartas de final vencendo o anfitrião Canadá por 3 a 0 no sábado (4), e o Egito, que sobreviveu num confronto decidido nos pênaltis contra a Austrália.
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A campanha africana começou com números inéditos. Das dez representantes do continente, apenas a Tunísia não conseguiu avançar da fase de grupos. Argélia, República Democrática do Congo, Gana e Senegal seguiram adiante como terceiros colocados. Marrocos, Egito, Cabo Verde, Costa do Marfim e África do Sul avançaram na segunda posição de seus grupos.
O desempenho superou com folga edições anteriores. Em 2022, apenas Marrocos e Senegal chegaram ao mata-mata. Em 2018, nenhuma seleção africana conseguiu avançar. Em 2014, somente Argélia e Nigéria passaram da primeira fase. Antes disso, Gana havia alcançado as oitavas em 2006 e 2010, enquanto Senegal representou sozinho o continente em 2002. As pioneiras em mata-matas foram a Nigéria, em 1994 e 1998, Camarões, em 1990, e Marrocos, em 1986.
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O aumento no número de classificados reforçou a percepção de que o futebol africano ampliou significativamente sua competitividade. Ainda assim, a diferença para as grandes potências aparece quando os jogos passam a exigir profundidade de elenco, maior capacidade física e repertório tático para enfrentar sucessivas partidas decisivas.
Marrocos confirma projeto que virou referência
Se a campanha de 2022 deixou de ser surpresa há algum tempo, a de 2026 transformou a seleção do Marrocos em um modelo consolidado. Depois de alcançar uma inédita semifinal no Catar, os marroquinos voltaram a mostrar consistência e seguem vivos na competição após eliminar o Canadá por 3 a 0.
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A atuação esteve longe de depender apenas do talento individual. O capitão Achraf Hakimi voltou a controlar os dois lados do campo, aparecendo com intensidade na defesa e no ataque, enquanto Brahim Díaz distribuiu duas assistências e chegou a quatro participações para gol em Copas do Mundo, tornando-se o jogador africano com mais assistências na história do torneio. A classificação também ampliou um dado que resume a força recente da equipe: o Marrocos soma agora quatro vitórias em jogos de mata-mata de Copas do Mundo, exatamente o mesmo número conquistado por todas as demais seleções africanas somadas.
A continuidade desse desempenho tem relação direta com um planejamento iniciado anos atrás. Investimentos em infraestrutura, categorias de base e integração de jogadores formados na diáspora transformaram o país em referência dentro do continente, um caminho que outras federações passaram a observar como exemplo.
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Cabo Verde conquista o coração da Copa
Nenhuma eliminação provocou tanta admiração quanto a de Cabo Verde. Estreante em uma Copa do Mundo, a pequena nação insular de aproximadamente 525 mil habitantes já havia feito história ao alcançar a fase de mata-mata depois de terminar a primeira fase invicta. Empates contra Espanha, Uruguai e Arábia Saudita, sustentados em grande parte pelas defesas do goleiro Vozinha, colocaram os Tubarões Azuis entre as grandes histórias do torneio.
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O capítulo final tornou a campanha ainda maior. Diante da atual campeã Argentina, Cabo Verde empatou duas vezes, levou o confronto à prorrogação e só foi eliminada por um gol contra nos minutos finais do tempo extra. Mais do que o resultado, chamou atenção a personalidade de uma equipe que jamais aceitou apenas resistir. Atacou quando pôde, suportou longos períodos de pressão e obrigou uma das favoritas ao título a disputar 120 minutos extremamente desgastantes.
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Nas ruas brasileiras, a seleção cabo-verdiana conquistou simpatia pela combinação entre coragem e identidade cultural. O português continua sendo idioma oficial do país, embora o crioulo cabo-verdiano domine a comunicação cotidiana, e a figura internacional mais conhecida ainda seja a cantora Cesária Évora. Durante algumas semanas, porém, foi o futebol que apresentou Cabo Verde ao restante do mundo.
Mata-mata encerrou sonhos de forma cruel
O mata-mata foi especialmente cruel para boa parte das seleções africanas. O Senegal parecia encaminhar uma classificação histórica ao vencer a Bélgica por 2 a 0 até os 40 minutos do segundo tempo. Em apenas três minutos, permitiu o empate, levou a partida para a prorrogação e acabou sofrendo a virada. Foi provavelmente a eliminação mais dolorosa do continente.
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A República Democrática do Congo também esteve muito perto de surpreender. Depois de abrir vantagem diante da Inglaterra, suportou a pressão durante boa parte do jogo, mas acabou derrotada pelos dois gols de Harry Kane, marcados na reta final do segundo tempo.
A África do Sul sofreu um roteiro parecido. Resistiu até os acréscimos, quando levou o gol da derrota para o Canadá aos 45 minutos da etapa final.
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A Costa do Marfim jogou melhor do que a Noruega durante boa parte do confronto, mas também sofreu um gol no fim e acabou igualmente eliminada. Cabo Verde viu sua campanha terminar apenas na segunda etapa da prorrogação diante da Argentina. Em comum, todas deixaram a impressão de que estiveram muito próximas de mudar o rumo da própria história.

A campanha de 2026 deixa um retrato interessante do atual estágio do continente. Há uma base muito mais ampla de seleções competitivas, capaz de equilibrar confrontos contra equipes tradicionais durante 90 ou até 120 minutos. Com muitos jogadores atuando na Europa, o desempenho de Cabo Verde, República Democrática do Congo e Senegal mostrou que o futebol africano deixou de depender exclusivamente de surpresas ocasionais.
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Ao mesmo tempo, permanece a sensação de que apenas o Marrocos conseguiu transformar crescimento estrutural em capacidade constante de disputar espaço entre a elite mundial. O sucesso do projeto marroquino ajuda a explicar por que o país voltou a chegar longe na Copa do Mundo, enquanto outros representantes ainda alternam campanhas históricas com eliminações marcadas por detalhes.

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Mesmo com apenas duas seleções sobreviventes, a edição de 2026 representa um passo importante. O continente ampliou sua presença, mostrou maior diversidade de estilos e revelou novas histórias capazes de mobilizar torcedores muito além de suas fronteiras. O desafio agora passa a ser transformar esse avanço coletivo em campanhas que se tornem frequentes também nas fases decisivas da Copa do Mundo.