Americanos vestem camisa da seleção dos EUA como símbolo de patriotismo para comemorar os 250 anos da independência


Nos Estados Unidos, o 4 de julho é o dia de tirar a roupa mais “americana” do armário. Por isso, entenda-se usar peças e acessórios nas cores da bandeira. Alguns vão além, espalham estrelas pela roupa e abusam do brilho. Neste ano, a indumentária oficial ganhou um novo item: a camisa da seleção local de futebol. Assim como a Amarelinha extrapolou os limites do campo e se tornou um símbolo patriótico para os brasileiros, o mesmo parece acontecer no país da Copa.

Mesmo sem jogo da seleção americana, a camisa foi presença constante ontem nas ruas da Filadélfia. O feriado de 4 de julho é especial na cidade, considerada o berço do país como ele é conhecido hoje. Foi lá que a declaração da independência foi formulada e assinada, além de outros eventos históricos, como a elaboração da constituição. Por isso, ela recebe anualmente turistas de todos os cantos do país. Principalmente este ano, quando são comemorados os 250 anos da independência americana.

Não é que camisas esportivas não sejam usadas no 4 de julho. Na Filadélfia, por exemplo, torcedores dos Philies, time local de beisebol, saem as ruas com camisas e bonés da equipe. Mas, como o soccer não é tradicionalmente popular no país, a camisa da seleção nunca havia ocupado este espaço.

— É claro que já conhecia futebol, mas tenho outros esportes favoritos. Realmente fiquei mais interessado com a Copa do Mundo. Tantas seleções aqui no país e torcedores de todo lugar do mundo criaram uma atmosfera muito divertida. E nosso time está indo bem. Então, me deu vontade de usar a camisa no feriado, achei que fazia sentido — contou o americano Jake Thomaz.

Pré-jogo de Paraguai x França, na Filadélfia, foi marcado por show de fogos e apresentações sobre a Independência — Foto: Jewel SAMAD / AFP

A camisa número 1 desta Copa era a mais vista entre os que optaram por um look inspirado na seleção, até pelo seu design, que simula a bandeira tremulando. Esteticamente, atende à ideia predominante nas roupas temáticas usadas no feriado da independência, “the fourth”, (“o quatro”) como dizem. A 10 de Pulisic era, de longe, a mais presente. Mas as de Tyler Adams (4) e Balogun (20) também desfilaram pelas ruas.

— É um misto de sentimentos. Eu já gostava muito de futebol, principalmente de Copa do Mundo. Vejo todas. Mas acho que a campanha da seleção americana animou a todos, então isso acabou se refletindo em patriotismo — explica Julia McNeil, que se diz torcedora do Arsenal, da Inglaterra.

Patriotas resistem ao calor do verão com roupas da época da declaração da independência, em 1776 — Foto: Buda Mendes / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP
Patriotas resistem ao calor do verão com roupas da época da declaração da independência, em 1776 — Foto: Buda Mendes / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP

O sucesso da camisa se deve também aos jogadores, que participaram da concepção do design, em uma aproximação que ocorreu após o fiasco de 2023, quando vários atletas da seleção interromperem uma sessão de fotos por estarem muito incomodados com o modelo lançado. Para o uniforme da Copa, a fornecedora de material esportivo decidiu ouvi-los em todas as etapas do processo.

— Não sentia que os uniformes nos representavam — afirmou Tyler Adams em entrevista ao site The Athletic.

A Copa do Mundo definitivamente impactou a comemoração dos 250 anos da independência. Muitos turistas que estão no país para o torneio foram às ruas para acompanhar as comemorações do 4 de julho. E o resultado foram muitas camisas de México, Colômbia, Brasil e Alemanha nos museus e eventos da Filadélfia, além, claro, das de Paraguai e França, que se enfrentaram na cidade (com direito a uma apresentação em homenagem ao feriado feita pela Fifa antes do pontapé inicial).

— Dá para perceber o quanto o dia de hoje é significativo. Trata de liberdade, igualdade, democracia. Coisas que nunca podem deixar de existir — comentou o francês Jac Mangeot.

Marcado por discursos, desfiles, shows e feiras nas ruas, o feriado da Independência reflete a sociedade americana. Como suas contradições, destacadas com ênfase no discurso da prefeita da Filadélfia, Cherelle Parker durante a Celebração da Liberdade, evento que abre oficialmente os festejos. Primeira mulher negra a administrar a cidade, ela lembrou a todos do sofrimento dos povos negro e indígena, que também fazem parte da concepção do país, e foi aplaudida de pé.

Americanos jogam altinha no gramado na Filadélfia — Foto: Rafael Oliveira
Americanos jogam altinha no gramado na Filadélfia — Foto: Rafael Oliveira

— Este feriado me traz orgulho. Você anda pelas ruas e vê manifestações culturais, diferentes povos, pessoas tendo liberdade para protestar e outras passando o dia juntas — refletiu Jack Kasten, que também passou o dia vestido com sua camisa da seleção americana. — Ela tem as cores e as listras da bandeira. Embora eu não concorde com o nosso presidente (Trump), ela resume o país. Acho que a Copa também é isso: união.



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