Multicampeão pelo Atlético e ídolo da torcida, o goleiro Everson coleciona recordes, mas também algumas decepções nos 383 jogos acumulados pelo Alvinegro. Capitão desde a saída de Hulk, negociado com o Fluminense, o camisa 22 se tornou o principal líder do elenco e porta-voz do vestiário.
Com oito títulos conquistados, sendo protagonista em todos eles, o paulista de 35 anos precisou de muita tranquilidade e também de reforçar os cuidados com a saúde mental para deixar para trás três perdas recentes: o Galo acabou sendo vice-campeão em três finalíssimas (finais em jogos únicos).
Então, a gente sabe que aquele jogo da Libertadores sim, nos deixou baqueado psicologicamente, nos deixou para baixo, mas depois a gente acabou infelizmente perdendo finais por detalhes, mas sabendo que a gente chegou, chegou forte, chegou com mais confiança. Mas tem aquela famosa frase do futebol: ‘só vai perder final quem chegar nela
Em 2024, o time comandado por Gabriel Milito deixou para trás gigantes como Fluminense e River Plate-ARG, mas acabou derrotado pelo Botafogo na decisão da Libertadores; no ano seguinte, sob comando de Jorge Sampaoli, veio a derrota para o Lanús-ARG, na final da Copa Sul-Americana. Nesta temporada, foi a vez de encerrar a sequência de seis títulos seguidos no Campeonato Mineiro, com o revés para o rival Cruzeiro, já com Eduardo Domínguez como “dono da prancheta”.
Em entrevista exclusiva à Itatiaia, concedida nessa quinta-feira (2), na Cidade do Galo, Everson falou sobre estas “pancadas” e como o grupo lidou com todas elas. Ele também relembrou a derrota para o Flamengo, na Copa do Brasil de 2024, numa final com jogos de ida e volta. Na ocasião, os cariocas levaram a melhor no Rio de Janeiro e também na Arena MRV, em Belo Horizonte.
“Isso aos poucos vai saindo (o trauma das derrotas). Posso ser sincero para vocês que o que mais nos doeu aqui foi aquela final da Libertadores. Aquele final de ano ali foi difícil digerir, depois você voltar a jogar jogos aqui no Brasileiro, a gente estava enfraquecido psicologicamente, então aquilo dali acabou interferindo também no término de Brasileiro ruim que a gente teve até a última rodada. Mas Flamengo foi um jogo que a gente sabe que a gente fez um primeiro tempo ruim lá no Maracanã, depois a gente acabou tomando um revés, e aqui na nossa casa até a gente tomar o primeiro gol ainda a gente manteve muito vivo naquele jogo”, iniciou o goleiro.
“Depois veio a final da Sul-Americana nos pênaltis. A gente falhou um pouco ali nas penalidades, tivemos a chance do gol da vitória ainda, não crucificando nenhum jogador, mas a gente teve a chance ainda do gol… mas faz parte do futebol. Você vai ganhar, vai perder, mas tem que chegar fortalecido na final para que você possa sempre procurar vencer o máximo de finais possíveis que vai disputar”, foi além.
Aprendizados com as derrotas
Ainda durante a entrevista, Everson destacou que estas derrotas trouxeram bastante aprendizado para o grupo. Além disso, ele afirma que os jogadores estão muito mais preparados para uma futura decisão.
“Você aprende muito mais na derrota do que na vitória. A vitória esconde muito. As derrotas elas ensinam muito mais como a gente aprendeu no jogo do Botafogo, na Libertadores, o Campeonato Mineiro também nos ensinou. Infelizmente nesses jogos de finais únicas a gente acabou perdendo três decisões, então é algo que a gente aprendeu, com certeza a gente aprendeu muito com esses jogos, sabendo que jogos únicos são jogos mais nervosos, são jogos mais decididos em detalhes e infelizmente o detalhe acabou faltando para a gente”, afirmou o camisa 22.
“Então, com certeza, a gente está muito mais preparado para que o detalhe esteja a nosso favor nas próximas finais únicas que a gente disputar”, finalizou.