Clément Lenglet reforça o Benfica com dez anos de experiência ao mais alto nível no futebol europeu, ao serviço de Sevilha, Barcelona, Tottenham, Aston Villa e Atlético de Madrid. O defesa central ruma ao Estádio da Luz após uma temporada marcada por erros individuais e utilização intermitente na capital espanhola.
Quem o conhece bem, garante, ainda assim, que Lenglet tem todas as condições para triunfar na Luz. Pablo Correa mantém contacto com o central, mais de uma década depois de ter apostado nele na equipa principal do Nancy, entre 2013 e 2016.
Pablo Correa, técnico uruguaio – Foto: IMAGO
«Na semana passada, falámos sobre se ele ia continuar no Atlético de Madrid. Ele disse-me que havia uma aproximação do Benfica»,começou por contar em conversa com A BOLA. Pablo Correa revelou que Lenglet já havia falado com Diego Simeone, comandante dos colchoneros, sobre o futuro no clube e que, em caso de saída, «procurava uma boa equipa».
A «qualidade de vida», a «cidade» onde viveria e a «grandeza» do novo clube foram elementos que pesaram na decisão de Lenglet. O treinador de 59 anos considera que o futebol português «assenta bem» ao estilo de jogo do central gaulês, que reforçou uma «excelente equipa».
Lenglet e Correa no Nancy- Foto: IMAGO
A temporada desapontante em Madrid faz parte do passado, apesar das dúvidas que deixou sobre a disponibilidade física de Lenglet. Uma entorse sofrida no ligamento colateral do joelho direito a meio de dezembro, deixou-o quase 50 dias de baixa antes de um período em que disputou apenas três partidas em três meses.
Para Pablo Correa a «falta de continuidade» no onze colchonero justifica a «fragilidade física» do defesa central de 31 anos. «O Atlético tinha praticamente uma seleção de futebolistas de topo. É muito difícil cometer erros quando não se tem continuidade. Não acho que seja crónico. Quando alguém joga sempre, temos tendência a esquecer os erros», frisou.
A queda na hierarquia de centrais de Diego Simeone reduziu o número de oportunidades, mas Correa não tem dúvidas sobre a disponibilidade física de Lenglet. «Não é um jogador que esteja desgastado pela idade», frisou.
O que distingue Lenglet… do anterior patrão?
Munido de um «excelente pé esquerdo», Lenglet «soube evoluir» em contextos de topo, na ótica de Correa. A passagem pelo Barcelona, entre 2018 e 2022, permitiu-lhe, particularmente, aprimorar a relação com o esférico. O técnico elogia não só a «tranquilidade» que o antigo pupilo transmite a «jogar curto», mas também o «passe longo bastante preciso». A «inteligência no posicionamento» é essencial para «esconder os pontos mais frágeis».
«Tecnicamente, o Clément não é um jogador que vá impressionar pela força física. É capaz de desarmar o adversário pelo seu tempo de antecipação ou posicionamento», frisou. O técnico uruguaio procurou destacar a diferença de perfis entre Lenglet e o antecessor, Otamendi, jogador «mais velho» e «que vem de outro futebol». «Penso que o Otamendi é mais agressivo, mas menos jogador com a bola nos pés. Parece-me que o Clément tem melhor jogo curto e longo», explicou.
A fisicalidade argentina e a segurança francesa na construção convergem… nas alturas: «O Clément também tem um excelente jogo de cabeça, tanto defensivo como ofensivo.»
As comparações são inevitáveis, dada a experiência internacional de ambos, mas Pablo Correa, deixa um conselho ao antigo pupilo: «O Clément tem de pensar em deixar a sua marca na história do Benfica através das suas exibições, e não em ocupar o lugar de outro jogador. Se o Benfica olhou para ele é porque procura outras coisas.»
O novo patrão da defesa encarnada pode mesmo falar francês… com uma condição «Se tiver regularidade, vão poder ver a melhor versão do Clément.»