América Latina vê consumo de combustíveis fósseis cair 4% – Times Brasil


As Américas Central e do Sul vivem um movimento duplo em relação aos combustíveis fósseis: enquanto o avanço das fontes renováveis contribuiu para uma redução de 4% no consumo desse tipo de combustível em um ano, a produção de petróleo na região registrou um salto de 10,3%, impulsionada por um forte aumento da capacidade na Argentina, Brasil, Venezuela e Guiana.

Os dados compõem a 75ª edição do estudo “Revisão das Estatísticas de Energia Mundial” (Statistical Review of World Energy 2026), realizado pela KPMG em parceria com a Ember e em colaboração com a Kearney.

O relatório aponta que o centro de gravidade da oferta mundial de petróleo deslocou-se para as Américas. A produção combinada do Norte, Centro e Sul do continente supera hoje em 20,8% a do Oriente Médio, consolidando a região como o principal motor de crescimento da oferta fora da OPEP+.

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No caso específico do Brasil, o consumo de petróleo alcançou 2,61 milhões de barris por dia no ano passado, um crescimento de 1,4% frente a 2024, com o país respondendo por 2,5% do consumo mundial.

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“O Brasil permanece em destaque na produção de petróleo entre os grandes produtores globais por conta do pré-sal. Com relação as energias renováveis, o país adota uma abordagem diversificada, expandindo onde for possível e, ao mesmo tempo, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis”, explica o sócio-líder do setor de energia e recursos naturais da KPMG no Brasil e na América do Sul, Manuel Fernandes.

Matriz elétrica e biocombustíveis

A matriz energética brasileira se destaca no relatório, impulsionada pela força histórica das hidrelétricas, pela rápida expansão da geração eólica e solar e pela presença consolidada de biocombustíveis como etanol e biodiesel. De acordo com o estudo, o Brasil figura entre as nações com a maior participação de fontes renováveis na matriz elétrica mundial. O relatório reforça que o país permanece como referência em geração de baixo carbono.

Esse esforço de transição ocorre em um momento em que a demanda global por energia atingiu recordes, com um aumento de 1,7% em 2025, totalizando 600 exajoules.

O estudo alerta, no entanto, para o surgimento de “gargalos estratégicos”, especialmente no setor de minerais críticos — como lítio, cobre e níquel —, essenciais para a transição energética. Como o refino e o processamento desses minerais permanecem fortemente concentrados na China, as economias avançadas e emergentes, incluindo o Brasil, enfrentam o desafio de diversificar cadeias de suprimentos para evitar vulnerabilidades. O relatório conclui que a era atual exige uma estratégia regionalizada, onde a resiliência energética — financeira e estrutural — é a nova prioridade das empresas e dos Estados, superando o modelo de transição globalmente coordenado que guiava as projeções de anos anteriores.

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