Subsecretário de Guerra dos Estados Unidos abre sua visão sobre a nova política de Trump para a América Latina – Brasil 247


247 – O governo do presidente Donald Trump está promovendo uma mudança profunda em sua estratégia para a América Latina. A avaliação foi apresentada por Elbridge Colby, subsecretário de Guerra para Política dos Estados Unidos, em artigo publicado na revista Americas Quarterly, no qual ele sustenta que o hemisfério ocidental deve voltar ao centro da política externa e de segurança americana.

Segundo Colby, os Estados Unidos estão abandonando a lógica do internacionalismo liberal para adotar uma estratégia baseada no realismo, na defesa dos interesses nacionais e na proteção da segurança do continente.

O hemisfério volta ao centro da estratégia americana

Colby afirma que, durante anos, Washington tratou a América Latina como uma região secundária, concentrando sua atenção no Oriente Médio, na Europa e na Ásia. Em sua avaliação, essa negligência permitiu o fortalecimento do narcotráfico, da migração irregular, de governos considerados hostis pelos Estados Unidos e da influência de atores externos.

Para o subsecretário, a prosperidade e a segurança dos Estados Unidos dependem diretamente da estabilidade do hemisfério ocidental.

O “Corolário Trump” à Doutrina Monroe

O principal conceito apresentado por Colby é o chamado “Corolário Trump” à Doutrina Monroe. Segundo ele, a política americana passa a considerar essencial impedir que países de outras regiões estabeleçam capacidades militares, tecnológicas, econômicas ou estratégicas capazes de ameaçar os interesses dos Estados Unidos no hemisfério.

Embora o artigo não cite nominalmente nenhum país, como China ou Rússia, Colby sustenta que Washington deve impedir que atores extrarregionais obtenham posições estratégicas ou ampliem sua influência sobre recursos, infraestrutura crítica e ativos considerados essenciais para a segurança do continente.

Na interpretação apresentada pelo subsecretário, essa política não significaria uma relação de dependência entre os Estados Unidos e seus vizinhos, mas a construção de um ambiente regional em que parceiros sejam fortes, estáveis e capazes de proteger conjuntamente seus interesses.

Recursos estratégicos ganham importância

Outro aspecto central da nova estratégia é a preocupação com as riquezas naturais e os ativos estratégicos da América Latina.

Segundo Colby, a região possui importância crescente para a segurança econômica dos Estados Unidos devido à presença de minerais críticos, fontes de energia, infraestrutura logística, cadeias produtivas e outros recursos considerados fundamentais para a competição geopolítica do século XXI.

Nesse contexto, ele argumenta que Washington deve evitar que esses ativos estratégicos sejam controlados ou explorados por potências de fora do hemisfério, reforçando a integração econômica e de segurança entre os países americanos.

Mais cooperação militar e maiores gastos em defesa

Colby defende uma ampliação da cooperação militar entre os Estados Unidos e seus parceiros latino-americanos, com operações conjuntas, intercâmbio de inteligência e combate ao narcotráfico e às organizações classificadas por Washington como narco-terroristas.

Como exemplo, ele menciona iniciativas como a Operação Southern Spear, apresentando-as como modelo para fortalecer a integração regional na área de defesa.

O subsecretário também sustenta que os países latino-americanos deveriam elevar seus investimentos militares para uma faixa entre 2% e 3% do Produto Interno Bruto (PIB), argumentando que os atuais níveis de gastos são insuficientes diante dos desafios de segurança enfrentados pelo continente.

Uma nova visão para a América Latina

Na avaliação de Colby, a estratégia do governo Trump busca substituir uma política baseada na promoção universal de valores por uma abordagem centrada na defesa do território americano, na proteção das cadeias estratégicas de suprimento e na construção de alianças com países capazes de garantir sua própria segurança.

Segundo ele, uma América Latina mais forte militarmente, integrada aos Estados Unidos e menos vulnerável à influência de potências externas representa um interesse estratégico permanente de Washington.

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