
As bolsas de valores da Europa encerraram a sessão desta sexta-feira (07/08) majoritariamente no campo positivo. O movimento foi impulsionado pela leitura decepcionante do relatório de empregos dos Estados Unidos, o payroll, que reforçou as apostas de que o Federal Reserve (Fed) vai manter os juros básicos inalterados na reunião de setembro. Além disso, a temporada de balanços corporativos na região trouxe números que animaram os investidores, especialmente no setor de tecnologia. Do outro lado, a falta de uma solução para o Estreito de Ormuz e o aumento das tensões no Oriente Médio seguem como fatores de cautela.
O desempenho dos principais índices foi o seguinte: em Londres, o FTSE 100 (LSE:UKX) subiu 0,31%, chegando a 10.901,09 pontos. Em Frankfurt, o DAX (DBI:DAX) registrou alta de 0,82%, fechando aos 26.355,35 pontos. O CAC 40 (EU:PX1), de Paris, avançou 0,17%, para 8.714,93 pontos, enquanto o FTSE MIB (BITI:FTSEMIB), de Milão, teve ganho modesto de 0,06%, aos 53.717,19 pontos. Na contramão, o Ibex 35 (EU:SP35), de Madri, caiu 0,08%, para 20.163,98 pontos, e o PSI 20 (EU:PSI20), de Lisboa, recuou 0,46%, aos 9.181,38 pontos.
Entre as movimentações mais expressivas do pregão, a resseguradora alemã Munich Re (TG:MUV2) amargou queda de 1,47%. O motivo foi a redução da projeção de receita com seguros para o ano, após a empresa enfrentar quedas tanto no volume quanto nos preços durante a última rodada de renovações de contratos. Por outro lado, o subíndice de tecnologia do Stoxx 600 disparou 1,94%, puxado pela gigante de software SAP (TG:SAP), que valorizou mais de 4%. Em Londres, a Diageo (LSE:DGE) deu continuidade ao seu rali de alta, com ganhos de 3,18%.
No fronte geopolítico, o cenário segue nebuloso. As negociações para a reabertura do Estreito de Ormuz não avançaram, e o conflito entre os Houthis do Iêmen e a Arábia Saudita intensifica a preocupação com a segurança da navegação no Golfo Pérsico. Paralelamente, a Espanha está pressionando a Itália para que suspenda os controles de fronteira sobre viajantes espanhóis, em uma medida que visa responder à entrada de migrantes em Ceuta através do Marrocos.
Apesar do custo elevado da energia e das turbulências no Oriente Médio, a produção industrial da Alemanha mostrou uma recuperação cíclica modesta em junho, segundo análise do ING, que comentou os dados divulgados nesta madrugada.
A percepção de que o Federal Reserve pode adotar uma postura mais branda com os juros, somada ao fluxo positivo vindo dos balanços, trouxe algum alívio para os ativos de risco na Europa. No entanto, o impacto não foi uniforme. O euro (FX:EURUSD) se valorizou frente ao dólar norte-americano, refletindo o movimento geral de enfraquecimento da moeda dos EUA após o payroll fraco. A libra esterlina (FX:GBPUSD) também avançou. Para a renda fixa, a perspectiva de juros mais baixos nos EUA tende a beneficiar os títulos europeus, embora a inflação e as tensões geopolíticas ainda imponham prêmios de risco consideráveis. No médio prazo, a indefinição sobre o Estreito de Ormuz mantém o petróleo e os custos de energia como uma variável crítica para a recuperação econômica da zona do euro.
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