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O debate que acompanha esta edição é claro e tem vindo a criar muita polémica desde que a FIFA anunciou o aumento de participantes e a pergunta que agora se coloca no mundo do futebol é se estará a democratizar-se ou a fragmentar-se?
A expansão para 48: inclusão histórica ou inflação competitiva?
A decisão da FIFA de aumentar o número de participantes foi formalmente justificada como um “passo de globalização do futebol”, permitindo maior representação de confederações historicamente sub-representadas, sobretudo África, Ásia e CONCACAF. A ideia central passa por ter mais países, mais desenvolvimento, mais investimento e maior alcance do jogo.
Na prática, o novo formato altera profundamente a estrutura do Mundial. Em vez de 32 seleções divididas em oito grupos, teremos 48 seleções distribuídas em 12 grupos de quatro equipas, com apuramento alargado para a fase seguinte, o que aumenta o número de jogos e reduz o risco de eliminação precoce de seleções tradicionais.
Para defensores da mudança, trata-se de um movimento inevitável num desporto cada vez mais globalizado. Para críticos, é uma ruptura com a lógica de elite que sempre definiu o Mundial, ou seja, menos filtro competitivo na fase inicial e maior probabilidade de jogos desequilibrados.
Se o ex-treinador e analista europeu Arsène Wenger, atualmente envolvido em estruturas de desenvolvimento da FIFA, tem defendido publicamente que o alargamento “permite acelerar a evolução de federações fora do eixo tradicional do futebol europeu e sul-americano”, sublinhando que “a exposição competitiva é um fator decisivo no crescimento técnico das seleções emergentes”, outros não têm a mesma opinião.
Jorge Valdano, ex-jogador e ex-diretor desportivo do Real Madrid, adota uma visão mais crítica. “O Mundial sempre foi um torneio de elite. Quando diluímos demasiado a exigência da fase inicial, corremos o risco de transformar o contexto competitivo num espetáculo desigual em vez de equilibrado”, diz ao 24notícias.
O novo fosso: gigantes consolidados vs seleções em construção
Um dos efeitos mais evidentes da expansão é o aumento do contraste entre seleções de topo e equipas que entram no Mundial por via da ampliação do quadro competitivo.
No formato anterior, muitas seleções de média dimensão já representavam o limite competitivo do torneio. “Agora surgem equipas que chegam com menor experiência em grandes palcos, menor profundidade de plantel e estruturas ainda em desenvolvimento. Dados de ciclos recentes de competições internacionais mostram que a diferença média de qualidade entre as seleções do top 10 e o segundo escalão global continua significativa, sobretudo em termos de intensidade física, organização defensiva e profundidade de banco”, diz.
Ainda assim, dizem outros, há uma tendência inversa em curso, como a redução do fosso técnico em várias regiões. “Seleções como Marrocos, Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos ou Senegal já demonstraram capacidade de competir regularmente com potências tradicionais, especialmente em jogos de eliminação”, analisa Karembeu
O antigo internacional francês sintetiza esse paradoxo: “Hoje já não existem equipas pequenas no sentido absoluto. Existem equipas menos experientes. Mas a diferença já não é de talento puro, é de consistência ao mais alto nível”.
Com mais seleções e maior percentagem de apuramento para fases seguintes, o Mundial tende a reduzir o “efeito de eliminação imediata” na fase inicial. “Isso pode diminuir a pressão competitiva em alguns jogos de grupo, ao mesmo tempo que aumenta o número total de partidas e a carga física dos atletas”, salienta.
De acordo com Karembeu, mais jogos significam mais variabilidade estatística, o que pode aumentar a imprevisibilidade global do torneio. Em formatos longos, o acaso e a gestão física ganham maior relevância, abrindo espaço para surpresas.
“A qualidade média pode variar, mas o nível competitivo geral do torneio pode aumentar porque há mais estilos de jogo, mais contextos e mais adaptação exigida às equipas”, concretiza.
Quem chega como favorito ao Mundial 2026?
Apesar da expansão e das novas dinâmicas, o topo do futebol mundial tem mantido uma hierarquia relativamente estável. As principais casas de apostas e modelos de previsão continuam a colocar um grupo restrito de seleções na frente da corrida ao título, tal como antigos jogadores e analistas.
“As seleções que chegam mais fortes são França, Espanha e Portugal. Têm qualidade, profundidade e jogadores capazes de decidir jogos a qualquer momento”, afirmou Derlei ao nosso jornal.
Na mesma linha, Petr Cech foi igualmente claro ao relativizar o estatuto da atual campeã mundial: “Hoje existem outras seleções que estão mais preparadas do que a Argentina. Portugal, França e Espanha chegam num nível muito alto”, disse.
Do lado europeu, o histórico comentador inglês Gary Lineker reforçou essa leitura, destacando a consistência estrutural das potências tradicionais: “França e Espanha são as equipas a bater. Têm equilíbrio, talento e profundidade para chegar ao fim da competição”, afirmou.
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